Desenvolvimento do Brasil depende de investimentos na juventude, dizem representantes da ONU


O crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável do Brasil nas próximas décadas dependerão dos investimentos feitos hoje na juventude, especialmente na garantia de direitos como saúde e educação universais e de qualidade, assim como oportunidades de emprego e de participação política, disseram representantes da ONU no Rio de Janeiro, na ocasião do Dia Internacional da Juventude.

O crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável do Brasil nas próximas décadas dependerão dos investimentos feitos hoje na juventude, especialmente na garantia de direitos como saúde e educação universais e de qualidade, assim como oportunidades de emprego e de participação política.  É o que destacaram nesta segunda-feira (15) representantes da ONU no Rio de Janeiro, na ocasião do Dia Internacional da Juventude.

Garantir que os jovens brasileiros exerçam seus direitos também é essencial para o país conquistar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas que devem ser atingidas pelos países-membros da ONU até 2030, declarou o enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Juventude, Ahmad Alhendawi, em visita ao Brasil para evento da ONU em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Conquistar os ODS só será possível se atingirmos os jovens. Para fazer isso, precisamos de mais recursos e investimentos, de mais mecanismos de participação que atinjam os jovens marginalizados”, afirmou. “Precisamos investir mais em educação, porque com uma educação e um sistema de seguridade social fortes, poderemos proteger as pessoas para que elas conquistem seu verdadeiro potencial”, completou.

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O Assessor especial para o Esprote, o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke (direita), w o enviado do Secretário-Geral da ONU para a Juventude, Ahmad Alhendawi. Foto: UNICRio/Matheus Otanari

O assessor especial para o Esporte, o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke (direita), e o enviado do secretário-geral da ONU para a Juventude, Ahmad Alhendawi. Foto: UNIC Rio/Matheus Otanari

Ahmad lembrou que, para as Nações Unidas, o Dia Internacional da Juventude não é somente uma celebração, mas a ocasião de firmar compromissos em benefício das novas gerações. “Espero que este evento vá para além da celebração das Olimpíadas, enviando duas mensagens: a de que a ONU está comprometida em trabalhar para o desenvolvimento da juventude no Brasil, e uma mensagem global de que, mesmo com todos os desafios que enfrentamos mundialmente, uma das soluções é aumentar os investimentos na juventude”.

A necessidade de mais recursos e políticas públicas para a educação também foi enfatizada pelo assessor especial do secretário-geral da ONU sobre o Esporte para  o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke, citando o exemplo da Coreia do Sul, que há cerca de 60 anos era um dos países mais pobres do mundo e conseguiu se transformar em uma potência industrial graças ao foco na educação  “O melhor investimento que um país pode fazer é em educação. E o esporte faz parte da educação”, disse Lemke.

Relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostrou que, no Brasil, apenas 56% das escolas brasileiras têm professores de educação física, sendo que em algumas regiões esse percentual é ainda menor, disse Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU Brasil. “Muitos países tiveram avanços importantes em dar maior acesso à educação à população. Mas ainda há muitas deficiências em termos de qualidade”, comentou. “No Brasil, houve progressos, mas há um longo caminho a percorrer”.

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Georgiana Braga-Orillard, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), lembrou que é necessário reforçar que o acesso à educação seja universal e baseado nos direitos humanos, independentemente de raça ou orientação sexual, atingindo também localidades de difícil acesso e populações indígenas e quilombolas. No mesmo sentido, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, disse que a educação deve ser pensada ao lado das demais políticas sociais e não isoladamente.

Bônus demográfico

O Brasil ocupa a sétima posição no ranking de países com maior número de jovens no mundo, totalizando 51 milhões, de acordo com relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Isso faz com que o país se beneficie do chamado “bônus demográfico”, quando aumenta a proporção de pessoas em idade de trabalhar (entre 15 e 64 anos) em relação à população dependente (crianças de até 14 anos e idosos com mais de 65 anos).

O representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, lembrou que apesar de positivo por ampliar a população economicamente ativa, o dividendo demográfico, sozinho, não é capaz de trazer desenvolvimento.

“O sucesso econômico do Brasil nos últimos anos tem muito a ver com o aumento da população economicamente ativa. Mas essa janela está começando a se fechar progressivamente”, disse Nadal. “O crescimento futuro virá da formação de capital humano”, completou.

Segundo dados do UNFPA, nove em cada dez jovens no mundo vivem atualmente em países em desenvolvimento e enfrentam mais obstáculos para ter inserção na força de trabalho, sendo que 515 milhões vivem em situação de pobreza, com menos de 2 dólares por dia.

Além disso, os números mostraram que 60% da população jovem mundial – que soma 1,8 bilhão de pessoas – estão sem trabalho e fora da escola. No Brasil, segundo dados de 2014, um em cada cinco jovens brasileiros de 15 a 29 anos não frequentava a escola e não trabalhava. Desse total, 63% eram negros e 63%, mulheres.

Apesar de já compor 25% da população brasileira, os jovens estão na camada social em maior situação de vulnerabilidade, lembrou Luislinda Valois, secretária especial de políticas de promoção da igualdade racial.

“No Brasil, as desigualdades raciais ainda são negadas. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no país. E acrescento: o jovem do sexo masculino é o mais atingido. É o silêncio da sociedade que incomoda mais. O Brasil é recordista mundial de homicídios e o jovem negro continua sendo o alvo”, declarou.

Luislinda foi enfática ao citar dados do PNUD segundo os quais apenas 11% dos jovens negros entre 18 e 24 anos estão nas universidades: “O mito da democracia racial se prolonga por anos de maneira hipócrita e vil, visando a manutenção desse sistema étnico-ideológico vigente”. E afirmou: “O mercado de trabalho é seletivo e cruel. Não existem vagas em todos os lugares para nós negros”, completou.

 via ONU Brasil

 

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