Morte de ambientalista no Maranhão é denunciada à Organização dos Estados Americanos


O assassinato do ambientalista e conselheiro da Reserva Biológica do Gurupi, no Estado do Maranhão, Raimundo dos Santos Rodrigues, foi denunciado à Organização dos Estados Americanos (OEA) pela organização não governamental Justiça Global. Rodrigues foi morto em uma emboscada, a tiros e golpes de facão, na estrada que liga as cidades de Bom Jardim e Buriticupu. Sua esposa ficou gravemente ferida no atentado. Desde 2012, ele vinha denunciando a ação de madeireiros ilegais na região, o que o tornou alvo de constantes ameaças. Tanto que os madeireiros teriam elaborado uma lista com o nome do conselheiro e de outras pessoas marcadas para morrerem.

Raimundo dos Santos Rodrigues e a esposa.

Raimundo dos Santos Rodrigues e a esposa.

As ameaças contra a vida de Rodrigues já haviam sido comunicadas à Ouvidoria Nacional Agrária, mas nada foi feito. A Justiça Global manifestou à OEA sua preocupação com a segurança e a vida dos outros conselheiros da ReBio do Gurupi e com os moradores da Comunidade Brejinho das Onças, localizada no interior da reserva, onde a vítima vivia com sua família. Além do conflito com os madeireiros, a comunidade sofre também com a perseguição de um latifundiário, ligado a políticos locais.

Em julho deste ano, o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis] apreendeu e incendiou caminhões que eram utilizados para extrair madeira ilegal do interior da ReBio. A Reserva está conectada com as Terras Indígenas Alto Turiaçú, Awá e Carú. Juntas, formam um mosaico que representa o que resta de Floresta Amazônica no Maranhão. Em abril último, o agente indígena de saneamento Eusébio Ka’apor foi assassinado com um tiro nas costas, na mesma região. Ele teria sido vitimado por madeireiros contrários às ações de autofiscalização e vigilância territorial dos indígenas contra a exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Alto Turiaçu.

A Justiça Global denuncia que, apesar de ser uma reserva ambiental, a ReBio do Gurupi não conta com uma proteção efetiva dos órgãos federais. O informe foi enviado para as relatorias da OEA de Execuções Sumárias, Defensores de Direitos Humanos e de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

via Adital

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